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O BRINCAR: SUA IMPORTÂNCIA NA VIDA DA CRIANÇA

O BRINCAR: SUA IMPORTÂNCIA NA VIDA DA CRIANÇA

 

Sofia  Durães  Ivo  
(2009)

IAVM – Instituto a Vez do Mestre

 

RESUMO

 

Ao longo da história o brincar tem despertado o interesse de educadores, mas apenas no Romantismo ele ganha importância e passa a ser observado e estudado de forma sistemática. Em geral há uma concordância entre os vários autores, de que o brincar é fundamental para o desenvolvimento da criança e que, quando este não ocorre é sinal de que algo não vai bem. O brincar ocupa o tempo em que a criança não está em atividades de subsistência, alimentando-se ou dormindo, não estando cansada ou doente. Ao brincar a criança cria e recria o mundo à sua maneira, os jogos realizados em ambiente familiar e sem a presença de pressões oferecem oportunidade de descoberta de  regras sociais e aquisição de linguagem. Ao jogar a criança não está interessada nos resultados, mas sim na solução de problemas. A mediação de um adulto é considerada positiva por diferentes autores, como Vygotsky, que entendem que esta supervisão ajuda na tomada de decisões, a supervisão seria um sistema de trocas interativas que possibilitaria à criança a aquisição de um sistema de signos, fundamental para a tomada de decisão. Jogo é coisa séria, é através dele que a criança se prepara para a vida adulta, a criança não tem consciência do treinamento que o jogo realiza, no seu mundo lúdico ela tem consciência do papel de adulto que desempenha, ela se sente crescer com suas conquistas lúdicas. Para ela o brincar representa o que o trabalhar representa para o adulto.

Palavras chave: Brincar -  Jogo - Criança.

INTRODUÇÃO

O interesse pela brincadeira das crianças não é algo recente em nossa história. Na verdade, o brincar foi se tornando reconhecido e se legitimando como a principal atividade das crianças ao longo da história. Somente no Romantismo, o brincar, se torna importante, o que faz com que autores interessados no desenvolvimento infantil lhe dessem importância e assim começassem a observá-lo e a estudá-lo.

            A partir de então, vários foram os autores que discorreram sobre o assunto, havendo uma concordância entre eles, onde o brincar é fundamental para o desenvolvimento infantil e quando ele não se dá, ou seja, quando a criança não brinca, é um sinal de que algo não vai bem com ela.

            Assim, o presente artigo se constitui como uma elaboração teórica a respeito do brincar, fazendo uma leitura de grandes autores, como Jean Chateau e Tizuko Kishimoto, que é uma das grandes estudiosas do assunto no Brasil, perpassando por Bruner, Vygotsky, Piaget e Claparède. O artigo tem como objetivo principal abordar a importância da brincadeira como sendo a principal e a mais fundamental atividade infantil, a fim de ajudar a todos aqueles que trabalham com crianças a permitir que elas brinquem, a estimulá-las mais e a compreender esse mundo lúdico.

 

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR

De acordo com Macedo (2005), o brincar é fundamental para o desenvolvimento infantil. É a principal atividade das crianças quando não estão dedicadas às necessidades de sobrevivência como o repouso e a alimentação. Todas as crianças brincam se não estão cansadas, doentes ou impedidas. As crianças brincam pelo prazer de brincar. Ainda para o autor, o jogar é o brincar em um contexto de regras e com um objetivo predefinido, onde ganha-se ou perde-se. No jogo as delimitações como o tabuleiro, as peças, as regras, etc. são condições fundamentais para sua realização. O jogar é uma brincadeira organizada, convencional, com papéis e posições demarcadas.

Macedo (2005) diz que o brincar é um jogar com idéias, sentimentos, pessoas, situações e objetos em que as regulações e os objetivos não estão necessariamente pré-determinados. Na brincadeira diverte-se, passa-se um tempo, faz-se de conta. A brincadeira é uma necessidade da criança, o jogo uma de suas possibilidades à medida em que ela se desenvolve.

Segundo Kishimoto (2007) o brinquedo estimula a representação, a expressão de imagens que evocam aspectos da realidade, já o jogo explicitamente ou implicitamente determina o desempenho de certas habilidades definidas por uma estrutura pré-determinada no objeto em si e em suas regras. Para a autora a brincadeira é a ação que a criança desempenha ao realizar as regras do jogo, ao ir fundo, ao se envolver completamente na ação lúdica. É o lúdico em ação. Assim, o brinquedo e a brincadeira se relacionam estreitamente com a criança e não se confundem com o jogo.

De acordo com Schiller, ”o homem só é completo quando brinca”. Schiller (apud CHATEAU, 1987, p. 13)

Segundo Bruner quando o jogo se dá em um ambiente sem pressão, numa atmosfera de familiaridade, com segurança emocional e na ausência de tensão, ele oferece condições para a aprendizagem das normas sociais. Na brincadeira, a criança pode experimentar comportamentos, normas sociais que em situações normais não seriam tentadas pelo medo do erro e da punição. Bruner (apud KISHIMOTO, 2002, p. 140) O autor aponta a potencialidade da brincadeira para a descoberta das regras e aquisição da linguagem. Quando a mãe brinca de esconder o rosto, a criança engaja-se na brincadeira e compreende as regras que integram a seqüência de ações e verbalizações. Bruner (apud KISHIMOTO, 2002, p. 141)

Para Kishimoto (2002), com a repetição da brincadeira juntamente com a participação de um adulto, a criança descobre a regra, ou seja, a seqüência de ações que compõem a modalidade da brincadeira e não só a repete, mas toma a iniciativa, altera sua seqüência ou introduz novos elementos. Assim ela demonstra ter domínio das regras da brincadeira além de uma boa capacidade criativa.

Para Bruner é relevante destacar que é na brincadeira interativa que a ação comunicativa entre a mãe e o filho dá o significado aos gestos e permite à criança decodificar contextos e aprender a falar. Bruner (apud KISHIMOTO, 2002, p.142). Percebemos então que as brincadeiras interativas contribuem tanto para o desenvolvimento cognitivo como para o aprendizado das frases que fazem parte da brincadeira. Segundo o autor, quando a criança brinca, ela não está preocupada com os resultados. Bruner entende que a criança aprende a solucionar problemas e que o brincar ajuda nesse processo. Bruner (apud KISHIMOTO, 2002, p. 143)

Bruner assim como Vygotsky considera que a mediação de um adulto é positiva para que, quando necessário o supervisor possa auxiliar a criança a solucionar problemas. O autor entende a supervisão como um sistema de trocas interativas, onde o adulto possibilita aquisição de um sistema de signos, como a linguagem, fundamentais para tomada de decisão. Tanto Bruner, como Vygotsky, relacionam a cultura e o uso de ferramentas ao desenvolvimento da inteligência. Bruner e Vygotsky (1972 apud KISHIMOTO, 2002, p.145)

Para Kishimoto (2002), embora o jogo seja entendido como ação livre da criança seu uso denota valores presentes em cada cultura. Podemos perceber isso ao ver uma criança brincando de casinha onde o pai sai para trabalhar e a mãe fica e casa cuidando dos filhos.

Para Brougère, o jogo é, também, uma forma de socialização que prepara a criança para ocupar um lugar na sociedade adulta. Brougère (apud KISHIMOTO, 2002, p. 147).

Segundo Claparède, para a criança, o jogo é o trabalho, o bem, o dever, o ideal de vida. É a única atmosfera na qual seu ser psicológico pode respirar e, consequentemente, pode agir. Claparède (apud CHATEAU, 1987, p. 13)

Para Chateau (1987), a infância é a aprendizagem necessária à idade adulta. Brincar de mãe e filha é treinar no plano imaginário para a realização concreta no futuro. Assim podemos dizer que o mundo do jogo é uma antecipação do mundo das ocupações sérias. Segundo Groos, o jogo prepara para a vida séria. Portanto o jogo é o meio pelo qual se chega à vida séria, como um projeto de vida. O jogo é um artifício pela abstração, assim ao se cozinharem folhas, a futura cozinheira vai se formando. Groos (apud CHATEAU, 1987, p.15)

Segundo Chateau (1987) a criança não tem consciência do treinamento que o jogo realiza, o que ela tem consciência é de desempenhar o papel do adulto no seu mundo lúdico. Para Chateau (1987), o jogo representa para a criança o papel que o trabalho representa para o adulto. Como o adulto se sente forte por suas conquistas a criança se sente crescer com suas conquistas lúdicas. Para o autor, a criança que brinca, prova sua personalidade e se afirma em si, no seu eu.

De acordo com Kishimoto (2007) é na brincadeira de faz de conta que se percebe com mais evidência a presença da situação imaginária. A brincadeira sócio-dramática surge com o aparecimento da representação e da linguagem por volta dos dois e três anos quando a criança começa a alterar o significado dos objetos, dos eventos, a expressar seus sonhos e fantasias e assumir papéis presentes no seu contexto social, o faz de conta permite tanto a entrada no imaginário como a expressão de regras implícitas que se manifestam nos temas das brincadeiras.

Froebel e Pestalozzi que foram os pioneiros no campo da educação infantil e davam grande importância ao jogo, o relacionaram com a prática de ensino e a educação da criança. Froebel e Pestalozzi (apud KISHIMOTO, 2007, p.58). Assim percebemos que desde o século XIX vem sendo utilizado pela educação como sendo uma forma lúdica de inserir a criança no universo escolar.

Bruner destaca outro ponto fundamental para os educadores: “a brincadeira livre contribui para libertar a criança de qualquer pressão. Entretanto é a orientação, a mediação com adultos, que dará forma aos conteúdos intuitivos, transformando-os em ideais lógico-científicos, características dos processos educativos” Bruner (apud KISHIMOTO, 2002, p.148).

Para Kishimoto (2002) o jogo livre oferece à criança a oportunidade inicial e a mais importante para atrever-se a pensar, a falar e ser ela mesmo. (KISHIMOTO, 2002, p.149)

Vygotsky relaciona a cultura a inteligência e a educação ao mostrar que o ser humano está inserido dentro de um contexto cultural que influencia imensamente sua forma de pensar, agir, molda sua inteligência e que a educação quando se dá pela narrativa, contribui para que a criança desenvolva sua representação peculiar do mundo. Vygotsky (apud KISHIMOTO, 2002, p.149) Bruner concorda com Vygotsky quando mostra que a educação deve ser permeada pela cultura Bruner. (apud KISHIMOTO, 2002, p.150).

Para Kishimoto (2002) as brincadeiras de faz de conta têm mais efeitos positivos no desenvolvimento da criança quando há imagens mentais para subsidiar a trama. Crianças que brincam aprendem a decodificar o pensamento daquelas que brincam com elas por meio da metacognição que é o processo de substituição de significados típicos de processos simbólicos. É essa perspectiva que permite o desenvolvimento cognitivo.

Segundo Chateau (1887) é pelo jogo que a criança afirma seus poderes, prova seu valor. O jogo envolve a criança como um todo, é uma manifestação da personalidade total, por isso o jogo é sério.

Segundo Flavell (1999) a escolha por brincar de faz de conta vem de dentro da criança. São praticadas espontaneamente em todas as culturas, mas não são ensinadas formalmente. No faz de conta a criança usa deliberadamente o nome de um objeto para se referir a outro que lembra o primeiro, de alguma forma. Como por exemplo ao usar uma banana  como sendo um telefone. A criança também pode fingir que é outra pessoa, que um amigo também é outra pessoa e que as duas estão interagindo. A isso chamamos também de brinquedo sócio-dramático, onde percebemos a capacidade em diferenciar o self dos outros, em assumir as perspectivas do outro, em experimentar papéis sociais e em interagir socialmente com os outros.

Para Piaget, quando a criança brinca, ela assimila o mundo à sua maneira, sem que ele tenha correspondência com a realidade, pois a sua interação com o objeto não depende da natureza do objeto, mas da função que a criança lhe atribui. Piaget (1971 apud KISHIMOTO, 2007, p. 59)

“O desenvolvimento do faz de conta consiste, em parte, em retirar as rotinas comportamentais e os objetos de seus contextos situacionais e motivacionais costumeiros da vida real e usá-los de forma lúdica.” (FLAVELL, 1999, p. 71) Segundo o autor, inicialmente no desenvolvimento as ações de faz de conta são fugazes e difíceis de perceber como tais, com o tempo se tornam descontextualizadas de outra maneira e a criança demonstra claramente que sabe que está fingindo dizendo, por exemplo, estou brincando de casinha. Assim ela se torna capaz de transitar entre a realidade e o brinquedo, sabendo o tempo todo em que mundo ela está.

Segundo Lillard as crianças podem fingir quanto à identidade ou à propriedade de um objeto, quanto a si mesmas, outra pessoa, um evento, uma ação ou uma situação. Lillard (apud FLAVELL, 1999, p. 71) O faz de conta torna-se mais socializado no curso de seu desenvolvimento na primeira infância. Primeiro, as ações e os objetos apropriados para os papéis se tornam padronizados ou convencionalisados, depois o faz de conta solitário dá lugar ao brinquedo sócio-dramático social.

Para Piaget o jogo simbólico, inicialmente é solitário e vai evoluindo para o jogo sócio dramático, isto é, para a representação de papéis como, por exemplo, quando a criança brinca de casinha. Piaget ( 1971 apud KISHIMOTO, 2007, p. 59 )

Assim, o jogo simbólico implica a representação de um objeto por outro. Segundo Bretherton, “as crianças devem se tornar co-dramaturgos, co-diretores, co-autores e atores substitutos, sem ficarem confusas quanto a qual destes papéis elas, ou suas companheiras de brinquedo estão adotando momentaneamente”. Bretherton (apud FLAVELL, 1999, p 72).

Bruner valoriza a brincadeira desde o nascimento da criança. Pela brincadeira a criança aprende a se movimentar, falar e desenvolver estratégias para solucionar problemas. A brincadeira tem papel preponderante na perspectiva de uma aprendizagem exploratória, ao favorecer a conduta divergente, a busca de alternativas não usuais, integrando o pensamento intuitivo. Brincadeiras com o auxilio do adulto, em situações estruturadas, mas que permitam a ação motivada e iniciada pelo aprendiz de qualquer idade, parecem estratégias adequadas para os que acreditam no potencial do ser humano para descobrir, relacionar e buscar soluções. Bruner (apud KISHIMOTO, 2002, p. 151)

Montaigne fala do caráter educativo do jogo. Para ele, o jogo é um instrumento de desenvolvimento da linguagem e do imaginário. Montaigne (apud KISHIMOTO, 2007, p.29).

Segundo Kishimoto (2007) no passado o jogo era visto como algo inútil, como algo não sério. Somente no Romantismo é que o jogo aparece como algo sério e destinado a educar a criança. No Romantismo o jogo surge como uma conduta típica e espontânea da criança, sendo sua forma de expressão. No Renascimento a criança é dotada de valor positivo, de natureza boa, que se expressa espontaneamente pelo jogo. Esse período é visto “compulsão lúdica”. O Renascimento vê a brincadeira como um meio livre de contribuir para o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo já que atende as necessidades infantis. Assim o jogo torna-se um meio adequado para aprendizagem dos conteúdos escolares (KISHIMOTO, 2007, p. 29).

Segundo Kishimoto (2007), o jogo é um fato social enquanto tal assume a imagem, o sentido que cada sociedade lhe atribui. Por isso dependendo do lugar e da época o jogo pode assumir significações diferentes. Assim, cada contexto social constrói uma imagem de jogo segundo seus valores e seu modo de vida que é expresso por meio da linguagem. Portanto, o sentido do jogo depende da linguagem de cada contexto social.

Para Kishimoto (2007) o jogo pode ser identificado segundo seu sistema de regras. São as regras do jogo que o permite ser diferenciado de outros. Assim quando se joga além de se executar as regras do jogo também se está desenvolvendo uma atividade lúdica. Para a autora o jogo também se revela enquanto objeto, que pode ser distinguido diante de outros pelos objetos que o caracterizam.

De acordo com Kishimoto (2007), o brinquedo permite uma indeterminação quanto ao seu uso pela ausência de um sistema de regras que organizam sua utilização. Assim o brinquedo permite uma relação íntima com a criança, ao contrário do jogo, que contem em si mesmo um sistema de regras e objetos que o definem de forma pré-determinada.

O brinquedo tanto comporta uma situação imaginária quanto uma regra. Essa regra não é explicita, mas é uma regra que a própria criança cria. Para Vygotsky, à medida que a criança vai se desenvolvendo ocorre uma mudança. Inicialmente o que predomina é a situação e as regras são ocultas, ou seja, as regras não estão explícitas, com o decorrer do desenvolvimento as regras predominam, se tornam explícitas e a situação imaginária fica oculta. Vygotsky (apud KISHIMOTO, 2007, p. 61)

Segundo Kishimoto (2007) quando surge a psicologia da criança, ela recebe muita influência da biologia, fazendo transposições dos estudos com animais para o campo infantil. Groos considera o jogo como um pré-exercício de instintos herdados, fazendo uma ponte entre a biologia e a psicologia. O autor defende que o jogo é uma necessidade biológica, instinto e psicologicamente um ato voluntário. Groos (apud KISHIMOTO, 2007, p. 31).

Vygotsky e Bruner focaram o contexto sócio-cultural e a estrutura da linguagem para subsidiar o estudo da brincadeira. Vygotsky  e Bruner (apud KISHIMOTO, 2007  p.32). Segundo Vygotsky toda conduta do sujeito, incluindo dessa forma a brincadeira, é construída como resultado de processos sociais. Vygotsky (apud KISHIMOTO, 2007, p. 32).

Quando vemos uma criança brincando de faz-de-conta, sentimo-nos atraídos pelas representações que ela desenvolve. A primeira impressão que nos causa é que as cenas se desenrolam de maneira a não deixar dúvida do significado que os objetos assumem dentro de um contexto. Assim, os papéis são desempenhados com clareza: a menina torna-se mãe, tia, irmã, professora; o menino torna-se pai, índio, policial, ladrão sem script e sem diretor. Sentimo-nos como diante de um miniteatro, em que papéis e objetos são improvisados. Vieira  (1978 apud KISHIMOTO, 2007, p. 57)

Segundo Kishimoto (2007) o faz de conta promove o desenvolvimento cognitivo e afetivo social da criança.

De acordo com Vygotsky o brincar é a situação imaginária criada pela criança. Vygotsky (1984 apud KISHIMOTO, 2007, p. 61)

 

CONCLUSÃO

Este artigo procurou demonstrar a importância do brincar para o desenvolvimento saudável da criança. Procurou-se enfatizar a importância do brincar, o jogo e o faz de conta e do brinquedo. Do mesmo modo verificou-se a relação intima do brincar com o contexto sócio cultural do qual a criança faz parte e o quanto dessa realidade ela reproduz no seu brincar.

Da pesquisa realizada verificamos que apenas a partir do Romantismo no século XVIII a importância  do brincar se tornou objeto de interesse de alguns autores, sendo a partir daí objeto de estudo e análise de um número cada vez maior de estudiosos.

De acordo com vários autores o brincar faz parte de um treinamento da criança para a vida adulta, assim o jogo é o meio pelo qual a criança treina a atividade que será desenvolvida no futuro e se afirma em si mesma, por isso o jogo tem para a criança o mesmo valor e importância que o trabalho tem para o adulto.

Verificou-se também a importância da mediação do adulto, que pode ser importante e positiva visto que pode auxiliar a criança no processo de tomada de decisão, pela interação entre ambos,  mediador e  criança.

De algo absolutamente inconseqüente e sem importância, o brincar foi (sendo visto como) se tornando uma atividade de fundamental importância e essencial na formação saudável de uma criança, preparando-a para a vida adulta.

Assim sendo consideramos de fundamental importância para o educador a perfeita compreensão de que o brincar representa um elo de enorme importância e que o mesmo tem que ser incentivado, que a atividade lúdica tem que ser entendida não como um mero “intervalo” entre atividades “sérias” mas como uma atividade de mesmo valor que as do aprendizado geral pois ela faz parte deste aprendizado e é para ele de extrema importância.

 

 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 CHATEAU, Jean. O jogo e a criança. São Paulo: Summus, 1987.

 FLAVEL, John H, MILLER, Patricia H, MILLER, Scott A. Desenvolvimento Cognitivo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.

 KISHIMOTO, Tizuko Morchida, et al. Jogo, Brinquedo, Brincadeiras e a Educação. São Paulo: Cortez, 2007.

 KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O Brincar e suas Teorias. São Paulo: Pioneira, 1998.

 MACEDO, Lino, PASSOS, Norimar Christe, PRETTY, Analucia Sícoli. Os jogos e o Lúdico na Aprendizagem Escolar.  Porto Alegre: Artmed, 2005.

 
 
 
 
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